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Brasão de Gonça

Gonça

Campos abertos e rusgas no interior de Guimarães, terra de lavoura antiga.
1 festa registada nesta freguesia
Brian Boru via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · fonte

festas nesta freguesia1

sobre a localidade

No interior do concelho de Guimarães, Gonça é uma freguesia de campos abertos e casas espalhadas, feita de socalcos, hortas e encostas de cultivo. A sua memória escrita recua às Inquirições de 1220, quando os enviados régios inventariavam terras e gentes, prova de uma comunidade agrícola organizada há mais de oito séculos neste recanto vimaranense.

história

Há terras que se guardam nas dobras do interior de Guimarães como quem esconde um segredo bem contado. Gonça é uma dessas, uma freguesia de campos abertos e casas espalhadas, onde o tempo parece correr ao ritmo pausado das lides do campo e das conversas à soleira das portas. A memória escrita de Gonça é antiga e recua até às célebres Inquirições de 1220, quando os enviados régios percorriam o reino a inventariar terras, direitos e gentes. É nesses documentos que a freguesia surge, prova de que já ali, há mais de oito séculos, havia lavradores a trabalhar a terra, casas a fumegar e uma comunidade organizada em torno do que lhe dava sustento. Não é pouco. Significa que quem hoje pisa estes caminhos anda por sobre o mesmo chão que alimentou incontáveis gerações, num fio contínuo de vida que atravessa reinados, mudanças e séculos sem se quebrar. As gentes de Gonça foram sempre, por vocação e por necessidade, gentes da lavoura. Neste recanto do concelho vimaranense, a paisagem é feita de socalcos e terrenos de cultivo, de hortas cuidadas com paciência e de encostas que ora se vestem de verde ora se douram conforme as estações. É uma terra de trabalho miúdo e teimoso, onde cada palmo foi conquistado à custa de mãos calejadas e de saberes passados de pais para filhos, sem alarido, mas com a firmeza de quem conhece o valor daquilo que semeia. Gonça pertence ao território que gravita em torno de Guimarães, o berço, e por isso partilha o horizonte cultural de uma das cidades mais nobres de Portugal. Ali perto ergue-se o imponente Castelo de Guimarães, sentinela de pedra do país que nasceu, e o centro histórico da cidade, labirinto de ruas medievais que a UNESCO consagrou. Vale a pena, a quem visita estas paragens, subir à Igreja de São Miguel do Castelo, onde a tradição quer que se tenha baptizado o primeiro rei; espreitar a Capela de Santa Cruz, discreta e recolhida; e demorar-se sob o Arco do Amor, um daqueles cantos que parecem feitos para namorados e sonhadores. Gonça vive à sombra deste património, respirando a mesma história fundadora que fez de todo este território um lugar de peregrinação para quem ama Portugal. Nas tradições, Gonça mantém viva a chama do convívio e da festa comunitária. A Rusga de São Miguel é aqui um nome que se pronuncia com orgulho: um grupo cultural que carrega a alma da terra, com a sua música, os seus cantares e a sua dança, e que junta as gerações num mesmo compasso. As rusgas, essa forma tão minhota de festejar em cortejo, com desgarradas, concertinas e trajes que evocam os antigos, são a expressão mais genuína de um povo que gosta de se reunir, de cantar e de celebrar em conjunto. É nesses momentos que se percebe o coração de Gonça: uma comunidade pequena que, quando se junta, faz muito barulho de alegria. À mesa, Gonça é herdeira da rica cozinha vimaranense, temperada pela fartura das hortas locais. Os legumes frescos, colhidos ali mesmo, dão sabor e cor à comida de todos os dias. Mas é nos dias de festa que a fama da região se afirma: o cabrito assado, tenro e perfumado no forno de lenha, verdadeiro rei dos banquetes; o bacalhau com batatas, prato de eleição que nunca falta nas grandes ocasiões; e o curioso arroz de pica-no-chão, iguaria de raízes camponesas feita com as miudezas das aves criadas no quinteiro, que resume como poucas a arte de aproveitar tudo com engenho e sabor. A gastronomia de Gonça é, no fundo, o espelho da sua história agrícola: comida honesta, generosa, nascida da terra e feita com o tempo que ela exige. Quem chega a Gonça encontra, então, não um destino de postal, mas algo talvez mais raro e precioso: uma terra verdadeira, de gentes trabalhadoras e acolhedoras, de campos que ainda produzem, de festas que ainda se cantam e de mesas que ainda se enchem. Uma freguesia que, na sua discrição, guarda a essência do que é ser do Minho e do que é pertencer a esta esquina fundadora de Portugal.