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Brasão de Escariz

Escariz

Chão habitado desde a aurora dos tempos, no coração de Arouca.
1 festa registada nesta freguesia
desenho de Câmara Municipal de Arouca · CC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons · fonte

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sobre a localidade

No coração do concelho de Arouca, distrito de Aveiro, Escariz estende-se por encostas marcadas desde tempos remotos: pelas suas terras ficaram estruturas megalíticas, castros e mamoas. O nome vem do germânico 'Ashan', o guerreiro armado com uma lança de carvalho. Surge já nas Inquirições de 1288 e foi vigairaria anexa ao Convento de Avé Maria, no Porto.

história

Há terras que se deixam contar devagar, e Escariz, no coração do concelho de Arouca, é uma dessas. Diz-se que o seu nome vem do germânico 'Ashan', que designava o guerreiro armado com uma lança feita de madeira de carvalho — e já esta imagem nos coloca de pé num tempo antigo, em que estas encostas eram habitadas por gente que sabia da terra e da defesa dela. É um nome que cheira a floresta e a batalha, a raízes fundas e a séculos. A memória de Escariz afunda-se, de facto, em épocas remotas. Pelas suas terras ficaram marcas dos homens que por aqui passaram muito antes de qualquer crónica escrita: estruturas megalíticas, vestígios de castros e mamoas que o tempo não apagou de todo. São testemunhos silenciosos de uma ocupação muito antiga, de povos que escolheram estas elevações para viver, para guardar os seus mortos, para ler o céu e a terra. Quem caminha por Escariz pisa, sem muitas vezes o saber, chão habitado desde a aurora dos tempos. Mais perto de nós, Escariz surge já nos documentos medievais, mencionada nas Inquirições de 1288 — aquelas grandes averiguações que mandavam saber de terras, direitos e gentes. Foi também, em tempos idos, vigairaria anexa ao Convento de Avé Maria, no Porto, laço que ligava esta freguesia serrana a uma casa religiosa da grande cidade. São detalhes que nos dizem que Escariz nunca foi terra à margem: estava inscrita nos mapas do poder e da fé, com voz e com nome próprio. As gentes de Escariz sempre foram gente de trabalho e de mãos calejadas. A vida fez-se da agricultura, do cuidar da terra e dos campos, mas também de ofícios que davam nome e sustento às famílias: o trabalho da madeira, lavrada por artesãos que conheciam cada veio; o fabrico de calçado, arte que exigia paciência e destreza; e a construção, que ergueu casas e muros ao longo das gerações. Mais recentemente, a apicultura foi ganhando o seu lugar, e o zumbir das abelhas tornou-se parte da banda sonora destas encostas — o mel como novo fruto doce de uma terra que nunca deixou de produzir. No capítulo do património e dos lugares com alma, há um recanto que se destaca pela sua posição e pelo seu recolhimento: a Capela da Senhora da Abelheira, poisada no alto de uma colina. Subir até ela é já meio caminho da devoção — e lá de cima a paisagem recompensa quem fez o esforço da subida, com o olhar a correr por sobre vales e montes. É um daqueles lugares em que o tempo parece abrandar, em que o silêncio tem textura e o vento conta histórias antigas. Capelas assim são, nestas terras, mais do que pedra: são pontos de encontro, memória viva de romarias e de promessas cumpridas ao longo de gerações. As tradições de Escariz respiram esse mesmo apego à fé e à comunidade. Entre a devoção e a festa, as gentes mantêm vivos os costumes herdados dos avós, honrando os seus santos e celebrando-os com o fervor próprio de quem não esquece de onde vem. A fé popular, com as suas procissões e os seus rituais, continua a reunir vizinhos e a trazer de volta os que partiram, nessas datas em que a terra chama os seus. É nesses momentos que Escariz se mostra inteira, com a sua alma coletiva à flor da pele. E depois há a mesa — porque em Arouca, e portanto também em Escariz, falar de terra é falar de sabor. O grande orgulho da região é a Carne Arouquesa, raça bovina autóctone que faz destas terras uma referência gastronómica. Da Arouquesa saem pratos que são festa: a vitela assada, elemento central da cozinha tradicional arouquesa, tenra e saborosa como poucas; o cabrito assado, de assinatura serrana; a posta arouquesa, generosa e honesta; e a espetada de vitela arouquesa, que junta à volta da brasa quem gosta de comer bem. Não faltam ainda os bifes de Alvarenga, outro nome grande desta cozinha de carnes. E para acompanhar, o Vinho Verde, fresco e vivo, que corta a gordura e abre o apetite para mais um garfo. É uma gastronomia sem rodeios, feita de produtos da terra tratados com respeito e preparados segundo a sabedoria de sempre — a prova de que em Escariz, como em todo o concelho, se come com a alma e se recebe com fartura.