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Brasão de Avô

Avô

Onde o rio Alva e a ribeira de Pomares se dão as mãos.
1 festa registada nesta freguesia
Brian Boru via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · fonte

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sobre a localidade

No concelho de Oliveira do Hospital, Avô ergue-se na confluência do rio Alva com a ribeira de Pomares, num ponto onde outrora se atravessavam a vau as águas da serra. Antiga vila da Beira Alta, recebeu de D. Sancho I o seu primeiro foral em 1187, que a elevou à condição de vila e lhe deu poder próprio durante séculos. Dessa dignidade guarda o Pelourinho manuelino, no Largo Conselheiro Cabral Metelo.

história

Há terras que nascem de um encontro, e Avô é uma delas. O seu nome vem precisamente do lugar onde o rio Alva e a ribeira de Pomares se dão as mãos, num ponto em que, outrora, se podia atravessar a vau as águas que descem da serra. É nessa confluência, abraçada pela natureza e pelos cursos de água, que se ergue esta antiga vila da Beira Alta, hoje freguesia do concelho de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra. A história de Avô é longa e carregada de dignidade. Em 1187, foi D. Sancho I quem lhe concedeu o seu primeiro foral, gesto que a elevou à condição de vila e lhe deu assento de poder próprio durante séculos. Durante gerações, as suas gentes governaram-se a si mesmas, viram passar o tempo e os reis, e mantiveram viva a memória de uma terra que sabia da sua própria importância. Essa autonomia perdeu-se mais tarde, quando a vila passou a integrar o concelho de Oliveira do Hospital, mas o orgulho e a identidade de Avô nunca se diluíram — ficaram cravados nas pedras, nas ruas e no coração de quem ali nasceu. Quem percorre o Largo Conselheiro Cabral Metelo encontra o símbolo mais eloquente desse passado: o Pelourinho, hoje classificado, testemunho mudo dos tempos em que Avô fazia justiça e afirmava os seus foros. É um monumento manuelino que resiste ao passar dos anos, lembrando a todos que por aqui se decidiram destinos e se exerceu autoridade. Diante dele, é fácil imaginar o burburinho das antigas feiras, os pregões, as vozes das gentes que davam vida a este largo. O património de Avô não se esgota no Pelourinho. A Igreja Matriz, de origem medieval e reconstruída no século XVIII, guarda em si camadas de história que se sobrepõem como folhas de um livro antigo. Nas suas três capelas laterais, erguidas em épocas distintas — uma no século XIV, outra no século XVI e ainda outra no século XVII —, lê-se a devoção paciente de várias gerações, cada uma deixando o seu contributo de fé e de arte. Ao todo, a freguesia reúne oito capelas espalhadas pelo seu território, entre as quais a Capela dos Ferreiros, pequenos santuários onde o sagrado se mistura com o quotidiano das gentes. Mas Avô recua a tempos ainda mais remotos. As ruínas de um antigo castelo recordam os dias em que esta terra precisava de se defender e vigiar, do alto, as águas e os caminhos. E mais longe ainda no tempo, a Anta da Arcaínha, sítio arqueológico que sobreviveu aos milénios, prova que já na pré-história havia quem escolhesse estes vales para viver, trabalhar e sepultar os seus mortos. Há em Avô, portanto, uma continuidade humana que atravessa eras — dos construtores de antas aos homens dos forais, dos devotos das capelas às gentes de hoje. Nas tradições, Avô mantém viva a alma festiva e musical que a caracteriza. A terra enche-se de cor e de alegria com as marchas populares, quando os seus habitantes desfilam pela vila ao ritmo da música e da comunidade. E há também o gosto pela canção, celebrado anualmente num festival em que as crianças mostram o seu talento, garantindo que a música passa de geração em geração. São costumes que falam de uma comunidade unida, que sabe celebrar em conjunto e que faz da festa um modo de afirmar quem é. À mesa, Avô partilha a riqueza gastronómica de toda a região de Oliveira do Hospital, onde a cozinha é generosa e feita de sabores fortes. O borrego é rei: servido com batata corada e grelos, em caldeirada, ou transformado em arroz de fressura, perfuma as casas nos dias de festa. Não faltam o arroz de suã, os torresmos, a tibornada de bacalhau nem a truta acompanhada de presunto, prato que casa o rio com a serra. Nos doces, o regalo é grande — arroz-doce, carolos, tigelada, pão de ló, marmelada e o irresistível doce de abóbora com requeijão. E, coroando tudo, o Queijo Serra da Estrela, ex-líbris destas terras, a par do requeijão tirado do soro do leite e dos frutos da região, como a maçã bravo de Esmolfe. É uma mesa que conta a história de um território onde a terra, o gado e o engenho das gentes se transformam em sabor. Visitar Avô é, assim, deixar-se levar pelo encontro das águas, pela sombra das capelas antigas e pelo eco das marchas — uma terra pequena na dimensão, mas grande na memória e no afecto que inspira.